A UMA HORA INCERTA. Há fotografias que são toda uma cultura de organização, o programa de toda uma máquina burocrática, a visão doméstica e internacional de um Estado. Um uniforme de escola feminino e duas tranças que caiem simetricamente numa face adolescente quase sempre são suficientes para evocar Lolita de Vladimir Nabokov. Um plano magistralmente iluminado de uma parede com a foto/ícone de Oliveira Salazar afirma o primeiro parágrafo, e Joana Ribeiro, bem fotografada, como aliás todo o filme por Mário Barroso que mais uma vez assina um trabalho brilhante, o segundo. A Uma Hora Incerta, a segunda longa metragem de Carlos Saboga também autor do argumento, é um filme com uma "mise-en-sène/ playing on stage" de grande rigor formal e elevada qualidade estética que constrói através e com as personagens, num casting também ele irrepreensível, uma narrativa que nos leva ao mundo Português de Salazar no contexto de uma Europa num dos momentos de maior tragédia da sua história, a II Guerra Mundial. Tudo acontece num excelente décor, um hotel fechado, o que demonstra uma vez mais a relevância do fora de campo na construção cinematográfica, que é hoje, 115 anos depois da invenção do cinema, o lugar provável da maior cumplicidade do cinema com o público. Chegou ontem a sala, aos territórios da visibilidade, pela mão de todos aqueles que o fizeram e aqueles que apoiaram a sua execução. JOANA RIBEIRO, PAULO PIRES, PEDRO LIMA, FILIPA AREOSA, ANA PADRÃO, JOANA VERONA, JUDITH DAVIS, GRÉGORIE LEPRINCE-RINGUET, constituem o elenco e estão, todos, actores e técnicos, produtor, realizador, director de fotografia, de parabéns. A UMA HORA INCERTA é mais um excelente filme Português em sala.
http://www.aumahoraincerta.com








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