sábado, 17 de junho de 2017

CIDADE ECRÃ
Rui Filipe Torres

37º Festival Internacional de Cinema do Porto

            O RUÍDO NÃO MATA MAS O MEDO SIM”

           



            Dia 1 de Março,  16h 30m, o ecrã do grande auditório Manuel de Oliveira no Teatro do Rivoli abriu-se para o formato 2:39.1 A projeção do COMBOIO DE SAL E AÇUCAR, filme de Licínio de Azevedo, com argumento a partir do livro com o mesmo nome que o mesmo autor escreveu, começa. É uma viagem iniciática e transformadora que se inicia, durante 93 minutos, onde a contenção e a exuberância do continente África são expressão da voz humana sitiada em corpos e almas em guerra com as trevas e as visões de luz
            Em 1988, a independência de Moçambique, a afirmação do direito de soberania e consequente anulação do estatuto de território colonizado pelo império português desde o séc. XV, tinha 13 anos. No entanto o mundo da geopolítica, dividido entre livre e marxista, mantinha em África uma guerra pelo poder. É em novembro de 1989 com a queda do muro de Berlim, que se precipita o fim de uma visão do mundo divido em dois blocos ideológicos e políticos.
            Em 1988, em Moçambique, a guerra colonial continuava, eram outras as potências mandatárias é sabido, e o nome dado à guerra outro. 
            Moçambique está em plena guerra civil. A viagem no comboio puxada pela locomotiva D 67, que liga Nampula ao Malawi, é uma oportunidade de comércio para as mulheres com a sabedoria da exigência da sobrevivência num mundo de terror e delinquência  com força normativa. Trocam sal por açúcar e garantem desta forma a subsistência das famílias. Uma viagem a 5km/h  numa linha sabotada, que expõe e torna vulnerável todos aqueles que a fazem, uma viagem em que se confronta a esperança e o pesadelo da guerra.
           


            Lorenzo Esposito, programador do Festival de Locarno, festival em que o filme esteve selecionado escreveu: “ Um relógio que já não marca o tempo. A camera mergulha no cais de uma estação perdida. Um grande grupo de pessoas, maioritariamente mulheres e crianças, ali se sentam em silêncio à espera. ... trabalhadores,  observados de longe por um grande contingente militar trabalham para fortalecer o comboio que parte.
            ... um Western africano. Estamos a bordo de um comboio de amor e guerra, em direção ao Inferno ou ao Céu, onde as mulheres têm que se defender da raiva dos soldados, apesar de algumas se apaixonarem por eles e darem à luz  os seus filhos... o caminho é longo e perigoso, mais de 700 quilómetros que tresandam a sangue e a morte, interrompidos por sabotagens contínuas: assaltos por milícias ao serviço de senhores da guerra e ataques suicidas por tropas sem nome.
            ... Os picos de violência, as mortes mais dolorosas e até os duelos pareciam ansiar fugir para fora do ecrã. São restringidos, não por serem anti-espetaculares, mas para contar a história da dignidade melancólica de um povo roubado dos seus sonhos e esperanças.”

            Sim, Western africano, tal como Apocalypse Now  ( Coppola 1979) é um a Western no Vietnam , ainda que aqui,  sejam bem menos os planos americanos ( o plano western por definição) , embora , sejam claramente assumidos no momento do combate final entre o herói , o tenente Taiar, que mais que a guerra, sonha é a paz , a agronomia e a tranquilidade de uma vida normal em família como modo de vida,  e bandido, o Alferes Salomão. que tornou a guerra sem lei a marca do seu carácter .
            É Licínio de Azevedo quem diz sobre estes dois personagens que “  o Taiar, é um tenente com mentalidade moderna, científica, que estudou numa academia militar na Ucrânia, ex-União Soviética e que tem um pensamento diferente por ser jovem e ter recebido formação fora do país. O seu antagonista é o alferes Salomão, que ganhou a sua patente na guerra. É um grande combatente mas tem um visão mais fechada. Sente-se domo do mundo, dono das mulheres, do comboio.”
           

            Licínio Azevedo, cineasta formado pelo Instituto Nacional de Cinema de Moçambique, nos anos que se seguiram à independência, teve como professores , Jean Rouch, Godart, Ruy Guerra,  é mestre nesta sua assinatura cinematográfica, capaz de uma contenção, de um fechamento dum comboio que se move enclausurado num carril a céu aberto, num jogo permanente de tensão entre a escuridão e o desejo da luz. E não é fácil resistir à  grandiosidade da expansão territorial do continente Africano, mas Licínio Azevedo, consegue permanecer perto das almas dos homens e mulheres, sem que o fora de campo deixe de estar presente no ecrã, não estando. Por vezes, quando a respiração da narrativa o permite, temos um plano geral da exuberância do território Africano, mas, quase sempre, num trabalho de grande assertividade, são personagens construídos com uma sabedoria de fino recorte, que a camera nos dá a ver e sentir.
            Ainda sobre o universo do personagens diz-nos o cineasta:” Neste filme há três grupos de personagens; os militares que protegem e controlam o comboio, entre os quais há os bons e os maus; os trabalhadores dos caminhos de ferro que permitem que o comboio siga o seu caminho e que são a intelligentsia; e os civis, sobretudo mulheres, que viajam e que representam a luta humana mais básica: a sobrevivência.
            É como um microcosmos onde coexistem muçulmanos, cristãos e animistas, numa atmosfera de traições, ataques e morte, mas também de esperança renovada. “ Quando o sol nasce todas as esperanças se renovam”, já dizia o meu velho Hemingway. E assim se vai mantendo o equilíbrio, porque dentro do comboio todos os passageiros arriscam as vidas. Durante a guerra temos tendência a diferenciar os bons e os maus, mas isso nem sempre é fácil. Aqueles que atacam o comboio são terríveis mas por vezes, aqueles que o deveriam proteger, são piores.”_



 Há personagens outros, bem desenhados, magistrais, o Caravela, uma espécie de assistente de maquinista, padre  e  febril nas sua preces religiosas,  ou comandante, carismático, animista, líder incontestado.
            O filme, uma co-produção, Portugal, Moçambique, França, Brasil, chega ao Fantasporto após seleção em Locarno e um prémio no Egipto.  Veremos o que o 37º Festival Internacional de Cinema do Porto lhe pode oferecer.




ZEUS,  Manuel Teixeira Gomes no grande ecrã.



            O RADICAL DESEJO DE FELICIDADE, não é, mas podia ser, o título do filme ZEUS que nesta quinta feira de inicio de 2017, é distribuído pela NÓS em Portugal e tem, na mesma quinta-feira dia 5 de janeiro, ante-estreia na Cinemateca Portuguesa.
            O filme acompanha a vida do herói, herói relutante, esse tipo de herói que modernidade ocidental inventou e que no caso tem nome próprio, Manuel Teixeira Gomes.
            Quem foi este homem, político, diplomata, escritor, que se demite a si mesmo do cargo de presidente da República Portuguesa, e decide viver os últimos anos da sua vida num exílio por ele próprio decidido, na cidade de Bougie,  Argélia,  margem sul do mediterrâneo?  É o que se espera melhor conhecer quando a projeção termina.  O filme cumpre essa natural espectativa.

            Vivemos um tempo em que é comum títulos de jornal sobre o uso da coisa pública em proveito próprio. Nenhum título nos fala do abandono, da recusa do exercício do Poder.
            O que dizer de alguém que, tendo o poder da presidência de República, a abandona por vontade própria e se auto exila entre outras terras e gentes?
            Este foi o caso do sétimo presidente da República Portuguesa, Manuel Teixeira Gomes, com fortuna herdada e construída pelo próprio, eleito a 6 de Agosto de 1923 presidente da ainda adolescente República Portuguesa, cargo de que se demite em 1925, para o acaso o instalar na cidade já referida.
             Norberto Lopes, no prefácio de “O Exilado de Bougie”, compara Manuel Teixeira Gomes a um grego do século de Péricles e/ ou príncipe florentino da renascença, há quem dele fale evocando a personagem Corto Maltese de Hugo Pratt.
            O cargo era grande ou pequeno demais para o homem Manuel Teixeira Gomes?
            ZEUS, é o nome do Filme de Paulo Filipe Monteiro, e o do cargueiro, onde o personagem principal desta ficção biográfica embarca 5 dias depois ao abandono das funções de Estado. Com 65 anos, muda de vida.
            A história real, desconhecida para a grande maioria dos portugueses, é trazida a filme pelo argumentista e realizador, Paulo Filipe Monteiro.
            O filme integra, de forma ficcional e sem acentuados dramatismos os acontecimentos políticos que antecederam a implantação da ditadura e, centra-se sobretudo, nesse tempo do exílio desejado, onde um confortável anonimato permite o prazer sensorial e a disponibilidade para a alteridade, para o encontro com a existência do outro.
            De alguma forma o filme também é uma fala sobre o colonialismo, neste caso o da França, sobre essa arrogância que se apresenta a si mesma como factor de civilização.
            Formalmente o filme assume uma montagem elíptica, por blocos, com citações não inteiramente conseguidas ao expressionismo alemão e ao mestre Murnau. Trabalha a luz e a sua ausência, é Paulo Filipe Monteiro quem afirma: “ Zeus é um filme sobre a luz. Outros em Portugal filmaram, e tão bem, a escuridão, a tal soturnidade, a tal melancolia, “um desejo absurdo de sofrer”. Eu gosto da luz nas pessoas e das pessoas que procuram a luz”.
            O filme trabalha com situações e frases verdadeiras, que permitem um olhar cinematográfico sobre a vida de um homem de espírito, livre, original.
            Estruturado em três blocos, cada um com o seu diretor de fotografia e o seu diretor de som, esses blocos vão alternando, o que torna a linguagem narrativa mais contemporânea, embora dando a mão ao espectador para que ele não se perca.
            Transcreve-se uma conversa breve com o realizador:

 ZEUS, é o nome do cargueiro holandês em que o herói viaja quando abandona o exercício do cargo de Presidente da República e procura outra alteridade. ZEUS, o filme, inscreve-se no género ficção histórica, tem como personagem principal Manuel Teixeira Gomes, escritor, diplomata, burguês com fortuna pessoal herdada e construída pelo próprio, eleito a 6 de Agosto de 1923 presidente da adolescente República Portuguesa, cargo de que se demite em 1925.  É a partida, a viagem, depois do abandonar o cargo de P.R.P. o que te levou ao filme?

      PFM: Sim, o meu interesse por essa figura extraordinária e tão desconhecida dos portugueses começou por esse gesto inaudito de coragem e de liberdade: renunciar à Presidência e, aos 65 anos, mudar completamente de vida. Um homem com aquela importância, Presidente da República, ex Vice-Presidente da Sociedade das Nações (antecessora da ONU), sempre tão chic, grande colecionador de arte, decide largar tudo e partir no primeiro barco que saia de Lisboa, mesmo sendo um cargueiro, não lhe interessa o destino. Passado um tempo está a viver com os nómadas no deserto...

        O filme procura resposta sobre o que faltou, ou esteve em excesso, em Manuel Teixeira Gomes, que o levou a abdicar do exercício do Poder?

          PFM: O que o levou a partir foram um conjunto de questões políticas e pessoais (a instabilidade, o avanço dos militares e dos fascistas, a lucidez de saber que o poder ia cair nas mãos dos militares, o pouco poder constitucional do presidente para travar isso, o desejo de não ser ele a entregar o poder aos militares, a morte do irmão, o escândalo Alves dos Reis, etc.), que o desgostavam de cá estar. Mas também a atração de sempre pelas viagens, o fascínio pelo anonimato, a admiração antiga pela cultura árabe.

            Norberto Lopes, no prefácio de “O Exilado de Bougie”, compara Manuel Teixeira Gomes a um grego do século de Péricles e príncipe florentino da renascença, também há quem fale da personagem Corto Maltese de Hugo Pratt. Como foi o teu processo de casting?  Procuras-te o ator, aquele que tem, sensibilidade e técnica, a capacidade da metamorfose, ou o ator que serve o papel por encaixe através de características antropomórficas, cor de olhos, estatura, modos de estar?

           PFM: Havia atores mais parecidos de cara e corpo com Teixeira Gomes. Mas apostei no Sinde Filipe, que tem a enorme inteligência, elegância e sensibilidade. Foi uma aposta ganha, encarnou completamente a personagem. Ainda só fomos a dois festivais e em ambos ganhou o prémio de melhor ator (em Mombai e em Coimbra).

           Filmar época é sempre um problema acrescido, obriga a um investimento ainda mais cuidado nos décores, guarda-roupa, até mesmo na direção de atores, esta condição limitou, ou a procura dessa materialidade, resgatou o tempo da narrativa da prisão cronológica?

            PFM: Sim, é preciso mais cuidado, tempo e dinheiro. Creio que conseguimos. O João Torres é um fabuloso diretor de arte, conseguiu milagres. A Sílvia Grabovski, como sempre, a ganhar o prémio de melhor guarda-roupa. Os atores a tornarem-se pessoas daquele tempo, mas seres vivos, não empoados. Só a música não é de época, achei que seria demais.

            ZEUS, chega às salas nacionais a 5 de Janeiro de 2017.  Quanto tempo demorou o processo, quando pensas-te pela primeira vez fazer este filme ?

            PFM: Estou há oito anos a trabalhar neste projecto! Exigiu muita investigação, em Portugal e na Argélia, e cuidadosa preparação. É uma grande alegria ele agora chegar às pessoas.

            Em quantos ecrãs o filme vai estrear? Como está a ser o circuito dos Festivais, o filme foi proposta a festivais classe A? A distribuição internacional é feita por quem ?
            PFM: Vai estrear em vinte salas, o que é raríssimo em Portugal, mesmo com grandes filmes estrangeiros. Para já estamos concentrados nisso, depois trabalharemos na saída internacional do filme.

              O projecto ZEUS esteve nas primeiras obras, ou conseguiste o quase milagre de teres dois filmes ficção de longa metragem no teu CV, sem passar pelas primeiras obras do ICA?

              PFM: Eu não realizei duas longas. Fui ator em 10 longas-metragens, portuguesas e estrangeiras. Como guionista, escrevi sete longas para outros realizadores. Como realizador, só fiz Amor Cego, de 25 minutos, e agora Zeus, apoiado pelo ICA no concurso de primeiras obras.

            Já sabes qual vai ser o teu próximo filme ?

             PFM. Anda a fervilhar na minha cabeça. Não julguem que vou continuar a fazer sempre filmes de época: o próximo é bem contemporâneo.


ZEUS é a primeira longa metragem que Paulo Filipe Monteiro assina, no entanto o cinema é central na sua produção teórica e profissional, prova-o a sua tese de doutoramento em 1995, orientada pelo ilustríssimo Eduardo Lourenço “Autos da alma: os guiões de ficção do cinema português entre 1961 e 1990”.

Como estamos neste início de ano, espero que não se oponham a que expresse votos de excelente ano de 2017 para a cinematografia Portuguesa.


Rui Filipe Torres



CIDADE ECRÃ
Rui Filipe Torres

37 anos depois o FANSPORTO

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            Está a terminar o FANTAS’2017 que nesta edição anunciou como linha de programação O CINEMA DOS NOSSOS TEMPOS.
            À cidade do Porto chegaram filmes do Laos, Albania, Egipto, Israel, Argentina, Brasil, EUA, entre outros países e cinematografias.
            Assume-se como Festival de cinema generalista com especial atenção ao cinema de género. Dá cobertura à grande extensão de filmes produzidos na área do Fantástico.
            Não deixa de ser um forte sinal do momento que o mundo vive, a ligação forte ao real em muitos dos filmes programados nesta 37ª edição.
            O Fantasporto é um de um dos mais importantes festivais de cinema Fantástico no mundo, género que dá cobertura a filmes com modelos de produção e estratégias narrativas diversas que vai da ficção científica, á comédia comédia, terror, as filmes “zombies”, ao “gore”, entre outras tipificações e, como sempre, nesta relação própria do cinema consigo mesmo, aos filmes híbridos em que os subtemas do género se misturam, recriam, apoderando-se de códigos que aparentemente lhe eram exteriores.
           
            Antes de, em forma próxima de breves notas de diário traçar um retrato a esta edição, sem pretensão de objectividade de jornalista científico, a fazer no próximo artigo, segue um texto onde, por voz própria, a comunicação do Festival nos conta como em 1981 esta aventura que se chama Fantasporto começou.

    Como nasceu o Fantasporto?
            À mesa do café Luso, na praça Carlos Alberto, a cinquenta metros do que foi durante muitos a catedral do cinema no Porto, o cinema Carlos Alberto, na altura com o nome pomposo de Auditório Nacional Carlos Alberto. Na mesa estavam a Beatriz Pacheco Pereira, o Mário Dorminsky, e o pintor José Manuel Pereira. Os primeiros queriam mostrar filmes, o último, prematuramente falecido, queria expor a sua pintura. Dois anos depois junta-se à equipa o António Reis. 
            O primeiro apoio financeiro foi do Instituto Português do Cinema, hoje ICA, no montante de 15 contos.

            Das “majors” ao cinema independente? Ou o sentido foi inverso?
            Desde o inicio o Fantasporto mostrou as maiores produções europeias, filmes norte americanos de “majors”.  Em 1981, apresentou a primeira longa metragem de animação chinesa.
            Sem rejeitar filmes de baixos orçamentos, produção independente ou experimental, o Fantasporto é desde o inicio uma montra de técnicas de vanguarda. Muitos dos filmes apresentados são Oscares, Goyas, Césars, Baftas.
            Para além da programação direta junto das “majors”, o Fantasporto tem uma colaboração privilegiada com produtores e distribuidores portugueses.

            Porquê o género Fantástico?
            Na altura, em 1981, o género era quase desconhecido. O festival nunca foi apresentado como exclusivamente fantástico. 
            O “Blade Runner”, só foi produzido em 1982, um ano depois da primeira edição do Fantasporto, onde teve  ante estreia europeia.
            A recessão económica impunha, então,  uma fuga à realidade. O pós-25 de Abril permitia a abertura do cinema do resto do mundo a Portugal, já não tínhamos a censura.
            Tinhamos a ideia de que havia um enorme potencial do imaginário a explorar, desde Murnau aos clássicos do neo-romantismo francês. Havia ainda o Maravilhoso na literatura, na pintura, nos filmes de todos os tempos. Os cruzamentos com outras artes começaram também logo na primeira edição do festival
            Georges Méliès e todos os realizadores do passado, e em todos os países, tinham favorecido a imaginação através da fantasia. Nem Akira Kurosawa nem Manoel de Oliveira ( “O Estranho Caso de Angélica”) escaparam à moda.
            Hoje as grandes produções  mundiais ainda favorecem o género: “ O Senhor dos Anéis”, “Matrix”,  “ Avatar”, “Harry Poter” , etc, são a prova que todos conhecem.

            Festival generalista agora, porquê?
            Porque, depois do surto dos anos 80, o cinema Fantástico sofreu uma crise qualitativa, e havia que manter o nível da programação. O festival alargou os seus horizontes para todas as temáticas, no que foi seguido pela maioria de festivais do fantástico na época. Foi criada a Semana dos Realizadores, inicialmente só para os primeiros e segundos filmes.
             Pedro Almodóvar foi visto pela primeira vez em Portugal com o seu filme “Matador”. Em 2002, perante a crescente importância do cinema oriental, surgiu a Secção Oficial Orient Express.
            Hoje, muitas dos filmes vistos nas retrospectivas são inéditos em Portugal, e resultam de uma programação organizada em colaboração com os Ministérios da Cultura e Institutos do Cinema dos países envolvidos.

            A promoção de um evento cultural
            O Fantasporto é uma referencia no mercado do Filme no Festival de Cannes, com um stand próprio onde divulga o festival e o país. Esta ação no maior festival de cinema e mercado do mundo, inclui uma intensa campanha nas revistas ; “Variety, ( que inclui o Fantasporto na lista dos 25 melhores festivais do mundo e envia correspondente), é apenas um exemplo, televisões, distribuidores , etc.
            O festival tem das maiores coberturas mediáticas de eventos nacionais.



Uma comédia antes de adormecer

A noite de ontem terminou com a projeção no grande auditório do filme  NIGHT OF LIVING DEB.





            Uma comédia romântica e um “apocalipse de Zombies”, parece ser uma mistura com sucesso improvável, se a isto misturar uma leve crítica de costumes e denúncias ambientalistas, ainda o parecerá mais.  Mas é isso que acontece neste filme de 2015, produção dos EUA, realizado e escrito por Kyle Rankin.
             A atriz Maria Thayer, tem aqui uma interpretação divertida, fresca, capaz de levar ao riso o mais sorumbático dos espectadores.
            O filme dura 85 minutos. Na verdade os zombies são uma figuração com dimensão de epidemia, todo o interesse do filme resulta da interpretação da atriz e do ator com quem contracena, este a protagonizar o cliché do “bonzão” e, no caso, filho de família de elite ambientalmente contestatário. O pai é um poderoso homem de negócios, controla a água da cidade, convive com as altas esferas do poder político executivo. Tudo é caricatura, um jogo descarado e frontal que procura a cumplicidade do espectador num humor vários furos acima do usualmente praticado no cinema que se assume, sem complexos, como entretenimento e complemento à venda de pipocas. É isso que torna o filme interessante e eficaz, capaz da surpresa do riso.